Identidade (des)conhecida.

12.14.2007

Natal.

Estou em casa a preparar-me para lixar umas janelas do quarto....ainda ando com obras em casa.
Tenho a tv ligada e está a dar o programa da manhã mas desta vez não é o habitual mas sim a transmissão do Natal dos Hospitais. Não tenho nada, propriamente dito, contra o programa. Está a falar uma senhora sobre o que se pode e deve fazer em questões de solidariedade social. Fazer pelos outros. Dizem sempre a mesma coisa: "Devemos ajudar o próximo não só nesta altura do Natal como durante todo o ano...". Pois! isto de facto é muito bonito de dizer e de ouvir. Mas e fazer?e fazer boas acções durante todo o ano? Eh pá sabem que mais? eu já estou farta desta solidariedade de Natal porque acho-a fingida, hipócrita e cínica até, e isto são tudo sentimentos que não existem aqui dentro!
O que me vem logo à ideia é que se com 32 anos já estou assim tão farta desta história que se repete todos os anos como vou eu estar daqui a 10 ou 20? (se lá chegar!)
O que eu tenho visto, com o passar dos anos é que o Natal é cada vez mais uma fase do ano em que as pessoas fingem ainda mais e que gastam o que tem e o que não tem na febre do dar...do consumismo...do mostrar que se dá boas prendas e que se dá a toda a gente mesmo que nem se fale a certa e determinada pessoa durante o ano inteiro...ou mesmo que a única palavra que dirija aquela pessoa com quem se cruza todos os dias seja apenas um bom dia e ou boa noite. Não interessa: no Natal dá-lhe uma "lembrança". Uma lembrança de que? para a pessoa se lembrar de si? lindo! Poupem-me! isto, logicamente é apenas um exemplo mas acontece todos os dias e mete-me nojo. Para muito gente hoje em dia o Natal é aquela fase em que pedem créditos para comprar....endividam-se para comprar! endividam-se para "parecer bem", para dar "lembranças"! Ainda bem que eu enquanto fui criança e adolescente ainda tive natais sinceros! Sem fingimentos! Havia problemas na família? havia. Sempre há. E naqueles dias de natal eles não desapareciam. Não os escondíamos. Estavam lá, sentados à mesa connosco mas havia também carinho e amor! Estávamos ali todos juntos, os 4. Cada um de nós dava a sua prenda aos outros geralmente coisas simples mas muito úteis. Como não tínhamos muito $ para gastar escolhíamos sempre muito bem a prenda para termos assim a certeza que a pessoa não só ia gostar como ía usar! Havia prendas sem haver consumismo, febre, stress, endividamentos, etc.
Ainda bem que eu conheci o Natal. O meu Natal ideal!
Este Natal de hoje em dia dá-me vontade de não o festejar. Em vez de ver o que de melhor as pessoas tem começo a cansar-me de ver o que as pessoas tem de pior...
Não peço desculpa por este post ser assim....(negativista, triste, ou lá o que lhe quiserem chamar! é apenas a minha opinião).

2 Comments:

  • E é a minha opinião também.
    O meu Natal sempre foi animado e barulhento mas genuíno . . . em tempos que já lá vão.
    Tempos em que as crianças (e mesmo alguns adultos) faziam prendas a pensar na pessoa a quem o iam ofereçer. Eram dadas (feitas) com carinho, de facto.
    Agora, o Natal é para mim quase um suplício.
    É igualmente barulhento (a animação ajuda um pouco a não aprofundar a questão e a passar a noite) mas o centro da festa são os presentes, os malfadados presentes que roubam todo o protagonismo à família.
    Já fiz algumas tentativas para mudar o rumo da coisa mas nada feito, é uma febre.
    Há dois anos estive quase para ir passar o Natal com aquelas brigadas que prestam apoio aos sem-abrigo para me sentir menos miserável, deixar de fazer parte desta febre consumista de uma vez por todas.
    Este ano tive sorte. Vim para Maputo uns tempos e escapei.
    Como te entendo.

    By Blogger Marta, at terça-feira, 18 março, 2008  

  • Cheguei aqui através de uma coisa (já não me lembro o quê) que temos em comum no perfil. Li algumas partes do blog mas como é muito grande fiquei sem saber como resolveste a situação.
    Seria muito pedir que me indicasses o post em que o relatas.
    Fiquei curiosa . . .

    By Blogger Marta, at terça-feira, 18 março, 2008  

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